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24/10/2007 Nanotecnologia, Educação e Trabalho Alexandre Custódio Pinto - Professor de Física e mestre em Ensino de Ciências, com a dissertação “A ciência como tradição cultural e o contraste de teorias no ensino de Física”. Publicou 30 livretos didáticos coordenados que foram reeditados em três volumes para a Fundação Bradesco e adotados por redes estaduais de ensino médio. Atualmente é pesquisador do grupo Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas (IIEP). Valéria: Boa tarde a todos! Alexandre: Boa tarde a todos! Alexandre: Gostaria de agradecer e parabenizar o IPT e o Paulo Martins pelo programa Valéria: Alexandre, li o artigo sobre direito dos robôs, qual a sua opinião sobre a importância dessa discussão? Alexandre: Acho que é uma questão muito séria. Quando estava no campo da ficção era uma coisa, mas tenho observado físico renomados preocupados com esses aspectos éticos e do direito das máquinas. Isabel: Alexandre vc havia comentado comigo sobre a experiencia da unicamp em divulgar a nanotecnologia para as crianças, de q forma vc acha que o tema deve ser abordado nas escolas? e em que matéria deve ser inserido? Alexandre: Olha Isabel, o problema é que no dia-a-dia convivemos com produtos do século XXI e a ciência das escolas está a mais de dois séculos passado. Alexandre: A escola precisa refletir um projeto de sociedade e essas questões estão no projeto político pedagógico da escola e portanto em todas as disciplinas. Alexandre: Isabel, o problema é que a ciência é apresentada nas escolas, nos livros e na mídia como uma verdade absoluta, contrariamente a sua natureza. defendo a idéia de ciência como tradição cultural. Significa que a ciência é uma instituição entre muitas outras. Não é única, não é mais valiosa, não é mais verdadeira que outras tradições culturais com as quais convivemos. PAULO MARTIN: Caro Alexandre Creio que vc poderia nos falar da/s concepção da PENROSE sobre a questao da conciencia ser determinada pela mecanica quantica Alexandre: o argumento de Roger Penrose para negar a superação da inteligência humana pela inteligência artificial baseia-se no teorema de Kurt Godel da incompletude. Mais especificamente do corolário de que existem proposições matemáticas que não podem ser decididas por um algoritimo, por exigir um número infinito de etapas.... Acontece que os computadores não conseguem resolver esse tipo de problema, é verdade. Mas os humanos também não!!!! Chegamos a solução por estimativas - coisa que os computadores também estão aprendendo a fazer cada vez melhor hoje em dia!!! Alexandre: Maurício K: Alexandre, poderia de início explicar o que Educação e Trabalho em geral têm a ver com nanotecnologia, em seu trabalho como pesquisador no IIEP? Tenho feito, pelo iiep o elo de contato entre a Renanosoma e os representantes de trabalhadores e pesquisadores em educação e trabalho (área de tradição das pesquisas do IIEP) Celso Vegro: Prezado Alexandre As relações sociais de produção passam por transformações de caráter disruptivo (precarização, baixos salários, perdas de direitos). Em sua ótica as nanotecnologias inseridas no mundo do trabalho terão conseqüências ainda mais acentuadoras dessas tendências observadas pelo desencadeamento da globalização? Alexandre: Essa questão é bem importante e geralmente não pode ser pensada sem se levar em conta a escala em que se observa o problema. A tecnologia gera mais produtos, mais lucro, degrada a natureza e diferencia as realações entre os trabalhadores... Valéria: Mas acha mesmo que os robôs tem de ter direito?? Quanto as responsabilidades de seus atos concordo que deve estar bem claro, e defendo que os fabricantes e os proprietários devem responder por eles, mas dar direitos, sinceramente, me perdoem a palavra, mas acho uma palhaçada!!! Há tantas ciranças passando fome no mundo, pesssoas de todas idades, tanta pobreza, a natureza sendo saqueada sem cerimônia, mesmo com tantos movimentos ambientalistas, leis e estão preocupados com direitos das márquinas, não não aguento isso!!! Deviasm se preocupar em cumrpir declaração dos direito humanos!! Alexandre: Ai precisamos conversar sobre a nossa concepção de Direito. Um direito mais que um benifício e o estabelecimento de um limite! Lembre que as mulheres, os negros, as crianças históricamente já foram consideradas não humanos. Se uma máquina tiver consciência porque não teria limites, direitos e deveres? Celso Vegro: Prezado Alexandre Desculpe-me, mas somente agora reconheci com quem estou dialogando. Fiquei impressionado com a quantidade de documentos sobre nanocências e nanotecnologias que vocês conseguiram reunir no CD. Parabéns pelo esforço que por si só vale mais que muitas bibliotecas! Alexandre: Forma cinco anos de registro e acúmulo de vários grupos: Renanosoma, IIEP, Relans e ETCGroup, principalmente... PAULO MARTIN: Caro Alexandre. Voce acha que os conceitos e conclusoes do `PENROSE sobre o fato da conciencia ser determinada por uma lei da fisica é uma visao predominante, hegemonica entre os fisicos?? Alexandre: É, dito de outro modo, um dos motivos pelo qual Einstein não aceitou a Mecânica Quântica!!! Não são os Físico... É um pressuposto da Teoria Quântica. Alexandre: Para uma bela apresentação desse problema veja o trabalho do prof Osavldo Pessoa formado em Física e que está na Filosofia - USP. Que coorientou meu projeto de Iniciação Científica em 1997. Acho que poderíamos entrevistá-lo aqui no chat. http://www.fflch.usp.br/df/opessoa/RBEF3.pdf PAULO MARTIN: OK, PRESSUPOSTO DA TEORICA QUANTICA QUE É A BASE TEORICA DA NANOTECNOLOGIA. SERA QUE PODEMOS ESTABELECER UM RELACAO DE CAUSA E EFEITO DA SEGUINTE ORDEM: OS NANOTECNOLOGOS, QUE PRODUZEM NANOTECNOLOGIA, ACREDITAM NA TEORIA QUANTICA E POR DECORRENCIA ACREDITAM TAMBEM QUE A CONCIENCIA E DETERMINADA POR ESTA TEORIA? Alexandre: Acho de verdade que a grande maioria dos nanotecnologos não se faz esta questão! Eles simplesmente trabalham, operam, formulam... a abordagem dos cursos de Mecânica Quântica não apresentam claramente os conceitos e implicações filosóficas da teoria, sáo mais pela matemática, pelas equações. Isso fica para pessoas como o professor João Zanetic, o prof Osvaldo Pessoa que são da História e Filosofia da ciência. PAULO MARTIN: ACEITO A PROPOSTA DE ENTREVISTA-LO. FAVOR FAZER ESTE CONTATO COMO VC JA O CONHECE Alexandre: Combinado! PAULO MARTIN: OK ALEXANDRE. DIGAMOS ENTAO QUE ELES AINDA NAO ESTAO COM A CABEÇA TOTALMENTE FORMADA O QUE PODE INDICAR QUE PODEMOS APOSTAR E COLOCAR UMA OUTRA REFLEXAO PARA ELES: A DE QUE A CONCIENCA SE DA POR DETERMINACAO SOCIAL E NAO POR UMA LEI DA FISICA Alexandre: A mecânica quântica implica na necessidade da consciência para a existência mesmo dos objetos que conhecemos. E vice-versa. A única forma de negar isso é admitir que a Mecânica Quântica está equivocada ou no mínimo incompleta!!! É um belo trabalho. Há físicos tentando fazer isso, mas têm suas bolsas de pesquisa cortada!!!! Alexandre: Maurício K: Interessante discussão sobre os robôs, caro alexandre. para responder esta pergunta, creio q cabe inicialmente perguntar: pq os humanos têm os direitos morais que têm? Não sou especialista em direitos. Mas acho que são os direitos que definem limites entres os homens. E fica o problema da escala. São os direitos da humanidade, do homem, dos consumidores, das coisas, dos animais, etc que ditam até que ponto podemos ir... É como uma moeda. Tem dois lados sempre! dulley: Alexandre gostei da sua proposta do ultimo ch at de fazer o tal desenvolvimento da ficção social. fale mais um pouco da tua idéia Alexandre: Tenho comprovado e acho que vocês também que o que conduz as pesquisas dos nanotecnológos do ponto de vista mais meta-físico é muitas vezes originado da ficção, da literatura, etc... Dai discutir e propor ficções sociais permitiria pensar perspectivas éticas e sociais alternativas. Alexandre: No que se refere à Nanotecnologia, o programa de engajamento público e a propsota de Ficção Social, uma questão central é a relação entre os especialistas ou peritos e o restante da sociedade. Estudei essa questão no mestrado, a partir das idéias de Paul Feyerabend. Os peritos ou especialistas foram algo comum no Egito, na Suméria, na Babilônia e na Assíria e muitos outros povos antigos. Só que não era a opinião do perito que conduzia a sociedade, mas justamente o oposto. "os peritos chegam aos seus resultados exatamente por limitarem sua visão e especializarem suas investigação. Examinam somente os aspectos que se relacionam com seus interesses bastante limitados. Seria disparatado considerar as idéias dos peritos como verdadeiras ou reais sem antes apresentá-las à sociedade e sem ter a certeza de que os objetivos profissionais dos peritos estão de acordo com os objetivos da sociedade. Valéria: Com vc, é difìcil, quase impossível, claro que não!! Alexandre: Não entendi essa sua questão.... dulley: Alexandre ...fiquei assustado com as declarações dp professor fisico Guenedii (éra isso?) sobre o fio que irá da terra aos astros acabando com as naves inter-planetárias mas principalmente por ele ter considerado uma prioridade de pesquisa! Isso pode existir mesmo? Alexandre: Já existe... são os sonhos e desejos humanos que conduzem a pesquisa científica. Celso Vegro: Prezado Alexandre Caso a consciência seja um processo passível de explicação pela física quântica, seria possível portanto a transferência dos processos cognitivos de determinado indivíduo para uma outra mente (biológica ou de máquina) que armazenaria esse bloco de processos ensejando então a perenização da "vida". Tal perspectiva é correta, comente. Alexandre: Olha são duas questões independentes. A consciência na mecânica quantica é um fato experimental, o modo mesmo como estamos construíndo os objetos quânticos. Quanto ao armazenamento dos processos cognitivos é a tese do ray kurzweil que vamos precisar esperar até 2020 para ver se se aplica. Eu acredito que não! (mas é pessoal) Acho que a Quântica está erra ou incompleta!! Quaresma: Boa tarde a todos os amigos do debate da nano. Alexandre: Boa tarde! PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE O DIREITO (EM GERAL) VEM A REFERENDAR UMA DADA SITUACAO ECONOMICA PREVIAMENTE CONSOLIDADA. PORTANTO, É O DESENVOLVIMENTO DAS FORCAS PRODUTIVAS QUE VAI IMPLICAR EM UM DADO DESENVOL ECONOMICO E COMO TAL UMA DADO DIREITO PARA CONSOLIDAR ESTA SITUACAO Alexandre: Claro Paulo, sei disso e não queria entrar numa discussão sobre o significado do Direito. Não estou falando de leis. Assim como nas questões econômicas falo de uma referência mais ampla e não da forma como as questões são apropriadas pelas forças produtivas. Olha quando falamos de economia deixamos de fora custos e prejuizos não considerados importante. Falo de uma nossa de direito mais vaga e livre aqui. Talvez precise de outra palavra: respeito, sei lá. Ai preciso ajuda dos sociólogos.... Valéria: Disse q não fiquei chateada com sua resposta! Alexandre: Não tem mesmo porque, nossa idéia no chat é debater para aproximar e ampliar as concepções tanto dos processos nanotecnológicos quanto das implicações éticas, sociais e ambientais. bustelo: en textiles he leido que se podría confeccionar ropa que regule el frío y el calor en climas extremos, es esto posible. Alexandre: É possível. E se está a desenvolver tecidos inteligentes. Veja algumas informações em: http://www.iiep.org.br/nano/suzano.ppt Celso Vegro: Prezado Alexandre Se o horizonte para a aplicação dessas teorias/tecnologias com potencial de reproduzir e armazenar processos cognitivos é 2020, creio ser imensamente relevante um esforço em apresentar essa temática para as crianças que atualmente ingressão no ensino formal. Essas crianças estarão convivendo com essas novas técnicas justamente no momento de ingresso no mercado de trabalho, se ainda existir algum até lá. Em sua perspectiva, seria possível/recomendável a criação de mecanismos para disseminação dessas tendências reproduzindo aquilo que aconteceu com o conhecimento ecológico e a conscientização sobre a necessidade de preservação do meio ambiente? Alexandre: Eu não acredito ou defendo essas teses de Ray Kurzweil... A questão é que ele, e outros Nanotecnólogos naturalizam esse projeto da ciência como se não fosse uma construção humana. Para mim todos precisam entender isso. Crianças, Jovens e Adultos e decidirem se é isso mesmo que a Sociaedade, a Humanidade, a nossa espécie quer... proponho um plebicisto global para decidir se queremos desenvolver inteligências superiores às humanas! PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE, ACHO QUE VC TEM COMO (A PARTIR DAS IDEIAS DE PAUL FEYERABEND) NOS AJUDAR A PRODUZIR ARGUMENTOS TEORICOS NA LINHA QUE VC DESCREVEU, OU SEJA, OS ESPECIALISTAS NAO DEVER SER A PALAVRA FINAL E/OU OS UNICOS A SEREM OUVIDOS E COMO TAL A DECIDIR SOBRE NANOTECNOLOGIA NO BRASIL Alexandre: Claro. E o primeiro passo é fazer com que TODOS entendam a trajetória tecnológica que estamos tomando e quem está no comando! Acho que o que estamos fazendo aqui agora vai nessa direção. dulley: Perdi uma parte do Chat pero el site de bajo és para ADRIANA la ARGENTINA http://www.sciencentral.com/articles/view.php3?language=&type=&article_id=218392126 Alexandre: Adriana veja ai uma referencia do Dulley. PAULO MARTIN: PORRETA. CREIO QUE SEJA ISTO MESMO. MAS EU NAO IRIA PRODUZIR ARGUMENTOS TEORICOS RELATIVOS A ISTO COM ESTE AUTOR QUE VC CITOU. POSSO FAZE-LOS COM OUTROS . PORTANTO, CREIO QUE MAIS ARGUMENTOS E SEMPRE BOM PARA QUE POSSAMOS CONSOLIDAR NOSSAS PROPOSICOES Alexandre: Estamos criando uma convergência aqui... acho que no sentido epistemológico oposto ao do BANG! E dos sonhos dos nanotecnológos. Precisamos recuperar alguns princípios éticos, morais de tribo primitivas. Como bem explicou Feyrabend, eles: "sabiam como fazer face às catástrofes naturais como pragas, inundações, secas - possuíam um 'sistema imunológico' que lhes permitia superar uma enorme variedade de ameaças do organismo social. Em épocas normais, exploravam o seu meio envolvente sem o danificar, aplicando os conhecimentos de propriedades de plantas, mudanças climáticas e interações ecológicas que estamos a recuperar muito lentamente." Estes conhecimentos foram gravemente afetados e parcialmente destruídos, primeiro pelos gangsters do colonialismo e depois pelos humanitários do auxílio para o desenvolvimento. A consequente incapacidade de grande parte do chamado terceiro mundo é o resultado da, não a razão para a, interferência do exterior!!! Agostinho: Alexandre, O que você poderia nos dizer sobre a questão da saúde do trabalhador que vai lidar com nanopartículas, nanotubos e demais estruturas nessa escala? Existem estudos experimentais nessa área? Afinal, o sistema imunológico humano consegue lidar bem apenas com partículas maiores do que 100 nanômetros, justamente a dimensão tida como limite para se definir nanotecnologia. Alexandre: Esse é um problema mais imediato e uma frente de combate aos ideais nanotecnologos. Veja nos arquivos do chat o bate papo com a Valéria da Fundacentro que abordou estas questões. Teremos também na programação a Arline que pode explicar melhor isso. Mas têm problemas para ontem!!! Celso Vegro: Prezado Alexandre/Paulo Como porém alcançar essa governança sobre a temática se seu desenvolvimento é totalmente anárquico e incide sobre todos os ramos produtivos? Há alguma chance de mapear quem está efetivamente no comando? Alexandre: Não é anárquico! E quem está no comando das pesquisas e dos ideais nanotecnoloógicos são os detentores do capital!!! dulley: Outra vez surge levantada pelo Celso a questão dos prazos. O fato é que me parece que TUDO será possivel ...só não sabemos em qual prazo. Pessoalmente lendo o Ray Kurzweil e sua argumentação sobre como o des tecnologico de 80/90 para cá tomou um comportamentos exponencial tanto não só em termos de produtos mas também de redução de custos, que no final de tudo é o que interessa para o grande capital que ainda comanda as nossa vidas exteriores. Alexandre: O problema é que todos nós ficamos encantados com os sonhos, ilusões e promessas das nanotecnologias e não consideramos o preço disso! NÃO concordo com Kurzweil. Essa não é uma tendência NATURAL e nós trabalhadores, professores, pobres, podemos reverter a trajetória. Reafirmo a idéia do Plebiscito Ético Glogal e o "direito" das tibros primitivas..... bustelo: Agradezco la información que me han brindado! Lamentablemente ahora debo retirarme, dejo mi e- mail: argea06@yahoo.com para seguir hablando sobre este tema. También me interesan las connotaciones sociales y éticas e incluso el impacto ambiental de esta tecnología. Gracias! Alexandre: Longa vida! dulley: Celso ...certamente quem está no comando são as classes dominantes ou mais especificamente nesse caso o Grande Capital internacional que não tem cara nem endereço ! Alexandre: O modo de reverter a trajetória é tomar o comando isso passa inclusíve por desnaturalizar a tese de Furzweil e contestar as teses de Penrose. Mas ai precisamos ganhar os jovens físicos, biólogos, matemáticos... suas mentes e suas almas. Valéria: Concordo e apoio a proposta do Alexandre"proponho um plebicisto global para decidir se queremos desenvolver inteligências superiores às humanas! " Alexandre: Nãos sei se plebicisto global faz sentido! Estou usando aqui como instrumento didático. "se não o Paulo vai falar que o sentido de plebicisto está viciado por...." Já sei disso. Falo num sentido DIDÁTICO. dulley: Alexandre ... talvez a questão central das biotecnologias e nanotecnologias seja; O QUE É QUE O GRANDE CAPITAL INTERNACIONAL ESTÁ QUERENDO ...O QUE ESTÁ FAZENDO OU PELO MENOS PENSANDO EM TERMOS DAS FUTURAS APLICAÇÕES DAS NANOTECNOLOGIAS. Quais as sua preocupações e ações? talvez este fosse um outro campo para exercitarmos a nossa ficção social mas desta vez pelo lado dos setores dominantes. Até aonde eles querem e posem chegar? Alexandre: O problema é que cada um de nós foi capturado pelo sistema. Odeio, por exemplo a falsa questão de se podemos viver sem a tecnologia. Falsa questão!!! A tecnologia é a privação da técnica do trabalhador!!! Quanto mais tecnologia... nenos conhecimento público. Temos de inverter essa equação como já disse. Valéria: Em relação a democratização da informação, tenho acompanhado o trabalho de Alexandre, no IIEP, em disponibilizar ao máximo informações sobre o assunto, vale a pena entrar no BLOG do IIEP http://blog.iiep.org.br/nanotecnologia/ Parabéns pelo seu trabalho!! Alexandre: Esse trabalho é feito a custas de contribuições pessoais de muitas outras pessoas do IIEP. Somos uma ong e em cinco anos de estudo e participação no debate não tivemos nenhum financiamento para pesquisa, divulgação no tema. O apoio tem vindo da Renanosoma e mais recentemente da Fundcentro. De todo modo Obrigado por divulgar os documentos! dulley: Prezado Quaresma - Concordo ! Um pouco atras afirmei que o grande capital não tem cara nem endereço! Alexandre: É isso ai! Um pouco do que queremos combater está também em nós mesmos. PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE, CREIO QUE PODERIAMOS ABRIR UM QUADRO SOBRE ESTA QUESTAO DA FICÇÃO CIENTIIFCA /NANOTECNOLOGICA / REPRODUTIVA DO CAPITAL X FICACAO SOCIAL / TECNOLOGICA/ NOVO MUNDO POSSIVEL. E ANALISAR A NANOTECNOLOGIA NESTE CONTEXTO Alexandre: É isso! Eu topo... quem mais? Celso Vegro: Colegas Ok, sem dúvida que no limite é o capital concentrado que comanda o processo. Minha hipótese sobre a anarquia do processo deve-se as finalidades ´para as quais determinada nanotecnologia será destinada. Quando se destina à busca de tratamentos que minimizem o sofrimento humano é uma perspectiva, quando visam o controle do pensamento pertence a um outro extremo. Essa multiplicidade de aplicações forma o quadro anárquico que mencionei. A falta de uma trajetória exclusiva para as nanotecnologias complica muito a possibilidade de se construir um desenvolvimento sob governança social. Me parece mais razoável pensar desse modo do que o da geração de um Big Brother regulador da nanociência. Alexandre: Não se pode combater tecnologia com tecnologia. Não vi nenhum projeto nanotecnológico que fosse bom na escala coletiva!!! A questão não é de brigar por uma trajetória A ou B, mas de párar e inverter a trajetória. Não é uma questão individual... é da humanidade! Valéria: Em relação a ciência imitar a ficção eu mesma vi uma declaração de um pesquisador da NASA, sobre um projeto que estão trabalhando para viabilizar uma missão a marte (tripulada) que envolve o desenvolvimento de anticorpos artificiais nanométricos,- ele declara que se insira nos filmes de fricção - em especial nesse projeto ele cita o filme "Viagem insólita"! Alexandre: Percebi que TODOS os nanotecnológos explicam seus projetos com um conto ou um filme! Por que será? Mas onde estão os filmes em que não há mais filas de doentes nos postos de saúde? Em que não há mais analfabetos? Em que não há obesos e mortos de fome? Cadê a ficção que defenda e construa nossos sonhos? PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE. EU PROPUS A COLEGAS AMERICANOS DE SOCIOLOGOS SEM FRONTEIRAS UMA DEBATE SOBRE A EXENSAO DE VOTO A TODOS OS HABITANTES DATERRA PARA A ELEICAO AMERICANA. FOI APROVADO PELOS COLEGAS AMERICANOS. CREIO QUE PODERIAMOS PENSAR EM ALGO NO MESMO SENTIDO, EXTENSAO A TODOS OS HABITANTES O DIREITO DE DECISAO SOBRE TECNOLOGIAS Alexandre: Correto. A decisão é sobre a trajetória e a concepção e não sobre qual projeto. Ok? Penso assim. O Feyerand chega ao limite de propor a separação entre ESTADO e CIÊNCIA assim como já ocorreu a separação da Igreja. Mas esse assunto dá pano pra manga.... leiam o "Adeus a Razão" de Paul Feyerabend! Quaresma: Prezado Alexandre, É um prazer falar com vc. A meu ver, a grande arma das corporações é a ignorância e a desinformação. O que vc acha do discurso predominantemente nanotimista? Alexandre: O discurso nanotimista vem de quem ganha muito dinheiro para o fazê-lo. Nossos jovens pesquisadores (porque os velhos já estão perdidos) são estimulados à competição, ao lucro, ao consumo, aos ideias das ficções. Acho que só poderíamos adotar uma tecnologia quando os usuários (TODOS) a dominassem. A Natureza é lenta por isso mesmo, contrariamente as teses de Kurzweil, acredito que todos temos DNA, mas não temos computadores!!!! dulley: Colegas - acho que as nonos assim como muitas outras coisas atualmente estão na dependencia da vontade e poder dos meios de comunicação (oligopolizados e a serviço do grande capital) que tornaram-se os "orientadores" daquilo que pode e não pode (no campo cientifico, moral, ético, economico, social etc) daquilo que o povo deve ou nãosaber e quando isso deve acontecer. O professor Laymert Garcia dos Santos afirmava em 1998 que as maravolhas da informatica eram divulgadas mas as das nbiotecnologias não pois afrintariam as opiniões. Na época inclusive denunciava que que o termo "Engenharia genética" considerado demaisiado agressivo FOI SUBSTITUIDO pelos meiso de comunicação por Organismos genéticamente Modificados" que soa mais suave e foi IMPOSTO À TOSDOS NÓS!@ Alexandre: E as nanotecnologias convergentes poderão ser invisíveis!!! Não saberemos quando as coisas mudarem radicalmente. Já estão mudando e ninguém desacredita mais dos milagres e falas promessas dos Deuses da sociedade em que vivemos! Quaresma: Fala aí irmão Tetü! Seja bem vindo à sala! Alexandre: Tetu? Valéria: Mas já terminou?? Alexandre: Acho que estamos começando a conversar. Nos vemos em outras oportunidade. Quem sabe não fazemos um encontro presencial para debater os resultados dos chats... PAULO MARTIN: DEPENDE DO PIQUE DO ENTREVISTADO QUE JA EXERCITOU OS DEDOS POR 1 30H Alexandre: E os neurônios com questões nas quais não tinha pensado antes.... Tetü: Sou jornalista, e leigo em nanos. Mas tenho amigos aí. Quaresma, Paulo Martins. Esta foi a fonte para chegar ao chat. Alexandre: Sugiro ler alguns documentos do ETC que estão no blog do IIEP citado pela Valéria. Valéria: Alexandre parabéns pelo seu trabalho, é muito bom poder participar dos bate papos com você, e sua participação, seja como entrevistado, ou mesmo como participante sempre enriquece profundamente a discussão!! Alexandre: Eu também gosto de participar... só lamento minha formação em Física que impede de pertencer à Renanosoma. Mas estou pensando em fazer um Doutorado em NanoÉtica. Dai rasgo meu diploma de Física. Brincadeira!!!! Eu adoro o conhecimento da Física... o problema são os Físicos... só alguns! A maioria! Valéria: PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE, CREIO QUE PODERIAMOS ABRIR UM QUADRO SOBRE ESTA QUESTAO DA FICÇÃO CIENTIIFCA /NANOTECNOLOGICA / REPRODUTIVA DO CAPITAL X FICACAO SOCIAL / TECNOLOGICA/ NOVO MUNDO POSSIVEL. E ANALISAR A NANOTECNOLOGIA NESTE CONTEXTO Alexandre: É isso! Eu topo... quem mais? Eu topo também!! Alexandre: A idéia é essa! conversamos... Quaresma: A meu ver a questão central é: como fazer às nano serem aplicadas nas desiguladades sociais, de modo a ameniza-las? Alexandre: Ao meu ver: Impossível! é preciso combater as desigaldades em suas causas e para isso a tecnologia só piora. É uma questão POLITICA! Agostinho: Alexandre, Creio ser necessário evitar que as pessoas coloquem no mesmo patamar nanotecnologias que já estão acontecendo (como as nanopartículas para tratamento do câncer) com sonhos tecnicamente não impossíveis, mas muito distantes (como o elevador espacial) e indo até os disparates do Kurzeill (ainda que ele não fale só disparates). Não acredito em reversão da trajetória, mas acredito que a não dispersão de esforços dos que se preocupam com o tema seja importante para equilibrar a balança. Por exemplo, recentemente o Lula alterou a quantidade de votos da Comissão de Biossegurança para permitir a aprovação de sementes transgênicas sem o devido cuidado. E não vi nenhuma reação a isto. Não creio ser razoável, por exemplo, investir-se tempo na discussão de uma consciência super-humana ou pós-humana. Os avanços na inteligência artificial andam a passos extremamente lentos e, por mais que a mídia divulgue, os robôs atuais são extremamente simplórios. Não gosto de colocar datas, mas não vejo preocupações a curto prazo, à exceção da aplicação dos robôs em guerras, já que eles simplesmente atirarão, porque não são capazes de "tomar decisões", no sentido que os humanos pensamos. Este é outro problema que, acredito, possa ser foco de ação. Alexandre: Caro Agostinho, gosto das suas preocupações mais imediatas e das preocupações como pauta política. Mas a minha preocupação de fundo aqui é com a EDUCAÇÃO, falo dos jovens pesquisadores e os sonhos que os ganham. Ai a Inteligencia Artificial e as teses de Kurzeill ganham uma relevância astronômica por formatarem os ideais e os sonhos futuros. Como disse acho que Kurzeill está errado! Mas ele tem conquistado muitos jovens. Não quero mem discutir se a AI é possível quero impedir as pessoas de a desejarem... ou de, pelo menos terem outras opções. Sinto muito. As resolver as questões de risco dos produtos nanotecnológico é um objetivo da indústria... precisamos é decidir o que queremos que seja produzido! PAULO MARTIN: MARAVILHA!!!JA TEMOS UM TRIO ESPERANCA PARA NOSSA FICCAO SOCIAL Alexandre: Tá bom, se cada um conseguir mais três teremos um belo crescimento exponencial Valéria: Alexandre, aqueles que tem esperança de poder andar, se curar de dorenças terríveis, por ex, farão movimentos e contra....e nós, digamos, entraremos como vilões, porque a sociedadde em massa não está a nossao alcance, mas de quem detém o capital, e consequentemente os meios de comunicação. O acesso a esses meios e a "tradução" em linguagem popular desses diversos impactos, a meu ver, é estratégico e determinante, nessa mudança de trajetória, não acha? Alexandre: Os que não sabem que estão contra estão a favor. Só por isso mesmo! Currar-se de doenças terríveis é uma falsa promessa da nanotecnologia. O preço dessa curra e a busca da imortalidade humana, seja de que modo for, é o fim do sentido da vida e portanto a maior de todas a mortes!!! PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE , VOCE E NOSSO PARTICIPANTE DA RENANOSOAM "AD INFINITUN" Alexandre: Ficou registrado então! PAULO MARTIN: ALEXANDRE, GRATO MAIS UMA VEZ PELA SUA COLABORACAO!!!ABRACOS Alexandre: Obrigado. Abraço a todos. Valéria: Valéria: Mas já terminou?? Alexandre: Acho que estamos começando a conversar. Nos vemos em outras oportunidade. Quem sabe não fazemos um encontro presencial para debater os resultados dos chats... Excelente idéia, já tem material suficiente para trabalharmos, o que acha Paulo? Alexandre: ok PAULO MARTIN: ACHO QUE SIM!!!!JA TEMOS COMO ANALISAR AS CONCEPCOES PRESENTES E EXPRESAS PELOS NOSSOS ENTREVISTADOS Alexandre: combinado! vamos sistematizar os debates. PAULO MARTIN: ISTO JA DA UM NOVO LIVRO. QUEM QUER ESCREVE-LO?? Alexandre: Eu ajudo! Valéria: Bem, me proponho a colaborar, pode contar comigo!! Alexandre: Ok Agostinho: Obrigado Alexandre, e saudações a todos. Alexandre: Ok Alexandre: tchau! |