28/09/2007
Engajamento Público em Nanotecnologia
Alexandre Custódio Pinto - Possui graduação em Licenciatura em Física pela Universidade de São Paulo (1998) e mestrado em Ensino de Ciências (Modalidade Física) pela Universidade de São Paulo (2003). Autor de Livro didático pela Editora do Brasil. Tem experiência na área de Pesquisa em Ensino de Física, com ênfase em História e Filosofia da Ciência, e Pesquisas em Educação, especialmente Educação Profissional. Atualmente é pesquisador do Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas - IIEP.


Mauricio K: Olá
Alexandre: Olá. Estou aqui a pedido do Paulo para falarmos sobre nanotecnologia e seus impactos éticos, sociais e ambientais.

Alexandre: Para quem ainda não sabe estamos organizando um Seminário sobre os impactos da utilização da escala nanométrica sobre o ambiente e o trabalhador. O seminário será nos dias 3 e 4 de outubro, na Fundacentro, em São Paulo (SP)
Link para Inscrição:
http://www.fundacentro.gov.br/CTN/cadastro_participante.asp?E=700


Mauricio K: Certo, eu trabalho com o Prof. Paulo. Bacana a sua presença. Vou divulgar no Stoa-USP para ver se mais gente aparece.
Alexandre: Teremos debates sobre as questões relativas à saúde, aos produtos já fabricados no Brasil e um particularemente com as organizações de trabalhodores.
Alexandre: Conseguimos envolver o Dieese, o Diesat, a CNQ, o sindicato dos metalúrgicos de Osasco, a Federação dos Metalúrgicos de São Paulo, além da UITA quem vem apresentar as reinvindicações presentes nas suas resoluções.

Alexandre: Vocês acham a Renanosoma tem avançado em seu proposito de estudar os impactos sociais, éticos e ambientais das nanotecnologias e promover o engajamento público?

Mauricio K: Acabei de divulgar lá, pra reforçar: http://stoa.usp.br/3098/forum/7092
Alexandre: Bom, é importante envolver o maior número de pessoas possível.

Mauricio K: Ao agregar pesquisadores... promover discussões... Mas estou começando na Renanosoma, não posso falar muito.
Alexandre: Qual sua área de estudo?

Mauricio K: Verifiquei que você é físico então, mas pesquisa história e filosofia da ciência; você já estudou especificamente a nanotecnologia?
Alexandre: Não, na época em que fiz Física, as pesquisas não eram chamandas de nanotecnologias ou nanociências, apesar de lidarem com a escala nano.
Alexandre: Minhas pesquisas foram de ensino de mecânica quântica para o segundo grau, a partir de apordagens centrada na história e filosofia das ciências.
Alexandre: Comecei a me preocupar com os impactos éticos, ambientais e sociais das nanotecnologias a partir de uma atividade promovidada pelo Paulo Martins no Fórum Social Mundial de 2003.

Mauricio K: Você acredita então que se deve a que este fenômeno de se considerar a nanociência com este nome, se já havia esta escala anteriormente? É uma mudança na maneira de se enxergar algum processo?
Alexandre: É uma mudança nos editais de financiamento da pesquisa. Os cientístas rebatizaram seus trabalhos para incluir os prefixos Nano e Bio....

Mauricio K: Normalmente trabalhei com internet e divulgação científica. E tenho me voltado agora a pesquisar imaginário em animações sobre a questão dos direitos animais.
Alexandre: A questão do direito dos animais é muito importante!!!!
Alexandre: Olha só... já pensou quando a "inteligências artificial" superar a capacidade de processamento do cérebro humano. O que acontece? Vamos ainda conseguir escravisar as máquinas como fazemos hoje?

Mauricio K: Você afirma então que na verdade além desta questão política de editais, não houve mudança alguma em termos de pensamento, de paradigmas, ao se considerar o tal prefixo "nano"?
Alexandre: Estou dizendo que o programa de pesquisa das nanotecnolgias já estavam em curso antes dos editais. A questão é que esse enfoque seleciona as pesquisas com essa enfâse em detrimento de outras.... mas a base científica para as nanotecnologias não mudaram!!
Alexandre: Não duram as equações do eletromagnetismo, da mecânica, da quântica, etc...

Mauricio K: Interessante; em que sentido você considera importante esta questão dos direitos animais? Considera que de fato eles têm direitos, e precisam ser considerados nas experiências científicas, e especificamente no caso de estudo nanotecnológico em Física?
Alexandre: Eu considero qua os animais têm direitos. As plantas têm direitos. Os computadores têm direitos. e até as ferramentas têm direitos. Os cientistas, particularmente Físicos, Biológos e Químicos fazem o que querem com os animais, plantas, matérias... transformam tudo em objetos de suas pesquisas em nome da produção de objetos que possam ser consumidos.... é esse o ideário das nanotecnologias e demais tecnologias convergentes
Alexandre: No que os índios, os antigos, respeitavam os seres das florestas e eram por eles respeitados...

Mauricio K: Certo; mas considerando seus estudos em ensino de ciências: como se sentem os alunos e público em geral em relação à Nanotecnologia e Física? Ao menos tivemos um chat recente aqui em que uma professora, a Suely, comentou que realmente os alunos sentem-se entre maravilhados e sem entender direito...
Alexandre: Os professores de Física não estão preparados para ensinar os alunos o que são as Nanotecnologias, em seus aspectos mais profundos e principalmente em termos de impacto.
Alexandre: Muitas vezes os artigos de divulgação e livros voltados aos estudantes tratam as nanotecnolgias como algo místico... prometem combater o cancer, a Aids, atinguir a vidad eterna....

PAULO MARTIN: CARO ALEXANDRE. A COMUNIDADE CIENTIFICA, INCLUSIVE VIA SBPC SE MOBILIZOU CONTRA UMA LEI MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO QUE PROIBIA O USO DE ANIMAIS. O ARGUMENTO QUE SEM ISTO NAO SE REALIZA PESQUISAS NO CAMPO DA MEDICINA E FARMACOS. COMO FICAMOS??HA ALTERNATIVAS??
Alexandre: Acho que a questão não é de utilizar ou não animais. Assim como poderíamos perguntar sobre os vegetais ou a escravidão dos computadores.... O problema é em nome de quem, porque, e com que RESPEITO tratamos as coisas que utilizamos...
Transformamos tudo em produtos para ganhar dinheiro! E com uma velocidade que vai nos levar onde?


Valéria: É verdade Alexandre, os animais são tratados como seres inferiores e, com esse pensamento tudu, ou quase tudo é "permitido"
Alexandre: A questão são quais valores éticos estamos escolhendo...

Mauricio K: Surpreende-me sua afirmação a respeito dos direitos genéricos de todos as coisas! Ainda mais de um físico como o senhor! Mas não é exagero afirmar que TODAS as entidades têm direitos? Não há que se pensar em certo relativismo, de acordo com a maneira como são sensíveis ou não as entidades estruturalmente organizadas? (Claro que, ao investigar no nível nano, não há nada inanimado...)
Alexandre: A minha idéia de que todas as coisas têm direito vem exatamente da Física! Particularmente das leis de conservação e de entropia.

Valéria: HOJE O CHAT está melhor,que bom!!! Não está demorando tanto para aparecerem as mensagnes!!
Alexandre: Acho supreendente que esjamos tão distantes e conversando em uma velocidade incrível e ficamos surpressos com a "lentidão" dos sistemas de informática. Rsrsrs.
Já notaram o quanto nos tornamos dependentes do computador, da eletrecidade do carro, etc... Por quê?


Valéria: na verdade, tudo depende de como se lida com as questões e do que realmente motiva uma ação, por ex, se não há outra forma de produzirmos vacinas contra febre amarela se não com embriões de galinha, acho que até se justifica, mas isso porque não há outra alternativa
Alexandre: Acho que é por ai. O importante é que não separemos muito o conhecimento de como se faz algo do seu uso...

Valéria: Mas em momento nenhum deve-se faltar com o respeito, esse sacrifício, deve ser sempre considerado e sermos agradecido a esse animaizinhos.... e não siomplesmente usa-los achando que podemos tudo,... é uma questão até filosófica, penso!
Alexandre: Isso. Veja é um não respeito fazer um carro que gasta mais de 80 % de combustível para transportar seu próprio peso. Palácios, etc...

Mauricio K: Caro Alexandre (e demais), o que acha disto: Um dos autores que mais se dedicou ao estudo da bioética é Peter Singer (2004), que afirma: “o princípio ético no qual se baseia a igualdade humana exige que se estenda igual consideração também aos animais”. Pois, segundo ele, nosso interesse pelos outros e em considerar seus interesses não devem depender de sua aparência ou das capacidades que possam ter, que seriam irrelevantes moralmente. Mas por sua capacidade de sofrer ou sentir, como antecipava Jeremy Bentham (1979, capítulo 17), no século XVIII, um dos fundadores do movimento utilitarista.
Alexandre: Preciso pensar mais sobre isso. Mas uma questão que ajuda a refletir é a seguinte:
Alexandre: Se surgir uma espécie artificial com inteligência e consciências superior a dos seres humanos, serão justificadas as experiências de anatomia e pisicologia que fizerem com os humanos para melhorarem as suas condições de existências????

Valéria: É verdade, nos acostumamos rtapidamente a tudo que é bom e confortável....
Alexandre: O conforto tem seu preço seja provindo de outro lugar, de outra pessoa ou de outra época!

PAULO MARTIN: A QUESTAO E QUE VIVEMOS NUMA SOCIEDADE ANTROPROCENTRICA E COMO TAL UMA ESPECIE SE ACHA NO DIREITO DE DOMIMAR/EXPLORAR AS DEMAIS
Alexandre: Pior ainda.... alguns indivíduos dentro da nossa especie se acham superiores e no direito de explorar os demais..... triste isso.

PAULO MARTIN: A EXPLORACAO DO HOMEM PELO HOMEM SE DA MEDIANTE A SUA FORMA DE ORGANIZAR A SOCIEDADE PARA PRODUZIR. ISTO E UMA DECISAO POLITICA.
Alexandre: E essa decisão se reflete nas politicas de financiamento que canalizam as ciências e as tecnologias

PAULO MARTIN: ESTE MODOLO POLITICO IMPLICA TAMBEM NA EXPLORACAO DE UMA ESPECIE SOBRE AS DEMAIS
Alexandre: E sobre a natureza e tudo o mais...

Alexandre: Foi bom conversamos hoje. Espero encontrá-los no seminário da Fundacentro. Abraços. e Até lá.

PAULO MARTIN: ENTAO AS QUESTOES ESTAO, COMO DISSE O EDGARD MORIN
Alexandre: Diz ai...
Os motores?


PAULO MARTIN: ESTABELECER UM CONTROLE PO MEIO DA ETICA QUE SO PODER SER ASSEGURADA VIA A POLITICA
Alexandre: Acho mesmo que é por ai...

Alexandre: Foi bom conversamos hoje. Espero encontrá-los no seminário da Fundacentro. Abraços. e Até lá.

PAULO MARTIN: OK ALEANDRE ABRACOS
Alexandre: ok

Valéria: Abraço Alexandre!! foi ótimo o bate papo!
Alexandre: ok

Mauricio K: Ah, moderadora, que pena que já acabou! Bem, só pra tentar terminar... As pesquisas com animais não são somente para questões altamente vitais como de saúde, certo? Tom Regan (2006) afirma que normalmente se superestima benefícios aos humanos e se minimiza os malefícios aos animais. E nunca se conseguiu oferecer uma metodologia inteligível para comparar danos e benefícios entre espécies. O que dizer da nanotecnologia, nosso assunto específico? Que usos seriam considerados justificados para fazer pesquisas (e que de fato estão ocorrendo), ainda mais que certas pesquisas são apenas exploratórias, julgando-se que algo além se acabe encontrando por outro pesquisador no futuro?
Alexandre: ok

Mauricio K: Bem, vamos nos encontrar pessoalmente na Fundacentro, e continuamos nossa discussão... Alexandre, sua questão sobre refletir sobre um ser ainda mais consciente e sensível que o humano é muito pertinente para questionar nossos atuais hábitos...
Alexandre: ok